As Tentações da Liderança – Parte 3

04
maio

A MANEIRA DE MANTER SUA INTEGRIDADE COMO LÍDER

3.Discipline-se para buscar as recompensas eternas

Lembra-te de mim, ó meu Deus, levando em conta tudo o que fiz por este povo.

Por que Neemias não caiu nos mesmos abusos dos seus predecessores? Eu poderia sugerir que isso não aconteceu porque sua perspectiva era a eterna? Não estava olhando o presente, mas o futuro. Os líderes que estavam abusando do seu poder, dos seus cargos e dos seus privilégios, estavam explorando o povo. Seu único anseio era adquirir riquezas pessoais. Também podemos ver isso em nosso mundo de hoje. Os políticos passam a vida, explorando o povo. De vez em quando o admitem, mas somente quando são descobertos. Neemias diz: “Eu não tenho feito nada disso. Tenho me disciplinado”.

Ao contrário, eu mesmo me dediquei ao trabalho neste muro. Todos os meus homens de confiança foram reunidos ali para o trabalho; e não compramos nenhum pedaço de terra.

Os que antecederam Neemias haviam aproveitado os tempos difíceis para adquirir lucros pessoais. Estavam usando seu cargo e seus privilégios para assegurar sua posição. Neemias diz: “Eu não fiz isso”. Pense: com os impostos a que tinha direito, poderia ter feito alguns negócios muito bons de boas fontes. Da mesma forma que os que haviam passado ali antes dele. Ele poderia ter dito: “Se me dão suas terras, lhes darei comida”. Uma vez edificados os muros, o preço das terras havia subido imensamente, por causa do aumento da segurança. Neemias, no entanto, não fez isso. Ele tinha temor reverencial pelo Senhor. Amava o povo. Tinha os olhos postos numa recompensa futura.

Neemias disciplinou-se a ponto de limitar a própria liberdade. Quanto mais alto você chega na liderança, menos liberdade terá. Mas se exige dos líderes. Quanto maior e a sua posição de autoridade, mais se espera de você, mais restrições são colocadas, e, na realidade, possui menos liberdade. A liderança exige muito.

Não sou livre? Não sou apostolo? Não vi Jesus, nosso Senhor? Não são vocês resultado do meu trabalho no Senhor? Ainda que eu não seja apostolo para outros, certamente o sou para vocês! Pois vocês são o selo do meu apostolado no Senhor. Esta e minha defesa diante daqueles que me julgam. Não temos nós o direito de comer e beber? Não temos nós o direito de levar conosco uma esposa crente como fazem os outros apóstolos, os irmãos do Senhor e Pedro? Ou será que só eu e Barnabé” não temos direito de receber sustento sem trabalhar?

Aqui rege o princípio de que o trabalhador e digno do seu salário. Se uma pessoa faz um trabalho para você, e justo que lhe pague.

De acordo com a lei judaica, quando um boi estava trilhando em círculos o grão para convertê-lo em farinha, não se permitia que lhe colocassem mordaça. Isso era considerado algo desumano. Era-lhe permitido que comesse do mesmo grão que estava trilhando. Paulo afirma:

Se entre vocês semeamos coisas espirituais, seria demais colhermos de vocês coisas materiais? Se outros têm direito de ser sustentados por vocês, não o temos nós ainda mais?

Os que se dedicam integralmente ao Ministério têm o direito de que se lhes pague por essa dedicação total. Paulo diz a seguir:

Mas nós nunca usamos desse direito. Ao contrário, suportamos tudo para não colocar obstáculo algum ao evangelho de Cristo.

Porque entendia o papel que lhe correspondia como líder, Paulo estava disposto a limitar sua liberdade.

Os perdedores concentram sua atenção em seus direitos; os líderes, em suas responsabilidades.

Os perdedores dizem: “Eu tenho meus direitos!”. Entretanto, o líder reconhece: “Tenho minhas responsabilidades!”. Por ser governador, Neemias tinha uma grande quantidade de direitos. Nesta passagem refere-se a eles em duas ocasiões: “nem eu nem meus irmãos comemos a comida destinada ao governador”. Ao ser nomeado governador, Neemias convertera-se no homem mais importante daquelas terras. Era responsável apenas diante do rei Artaxerxes diretamente, e este estava a 1.300 quilômetros de distância. Podemos dizer com tranquilidade que Neemias não conheceu as frustrações associadas à micro gerência.

Durante doze anos, havia sido o homem mais importante do país, sem ter de responder a ninguém. Não obstante, Não abusou do poder. Tinha o poder necessário para resistir as três tentações, porque fazia estas três coisas:

  • Tinha o temor reverencial pelo Senhor.
  • Amava o povo.
  • Disciplinava-se a si mesmo, para olhar para as recompensas da eternidade.

Era um homem decidido. Tal como diz em 5.16, Neemias dedicou-se a obra do Senhor. Não tinha tempo para os conflitos de interesse. Estava comprometido com o trabalho que Deus lhe havia encomendado. Sabia que precisava levantar uma muralha, e não um império pessoal. Enriquecer não era uma das suas prioridades.

Se Neemias tivesse permitido desviar-se pela busca de riquezas, tal como o haviam feito os governantes anteriores, você acredita que teria terminado os muros com tanta rapidez como o fez? Ele dizia: “Deus me encomendou um trabalho, e eu não vim aqui para fazer nenhuma outra coisa. Não vou desviar minhas energias para nenhuma outra parte”.

Conheço pastores que se tem dedicado as vendas, como trabalho secundário. Não percebem quanto tempo lhes toma esse trabalho, e depois se perguntam por que sua igreja não está crescendo. Seus interesses estão divididos. As pessoas não sabem se o pastor está fazendo amizade com elas a fim de ganha-las para o Senhor, ou a fim de ganhar um novo cliente.

Neemias disciplinou-se em todos os aspectos. O que motivou Neemias a aceitar a responsabilidade pelos israelitas de Jerusalém, sem ter sobre si outra autoridade, além da de Deus? Creio que era o mesmo anseio que havia motivado Moisés. A Palavra nos diz: “Moisés, já adulto, recusou ser chamado filho da filha do farão, preferindo ser maltratado com o povo de Deus a desfrutar os prazeres do pecado durante algum tempo”. Sejamos sinceros: o pecado e algo deleitoso. E divertido. Se não fosse, ninguém se sentiria tentado a pecar. Mas a Palavra fala de “efêmeros prazeres do pecado”. Tanto Neemias quanto Moisés sabiam que é preciso pagar um preço por esses efêmeros prazeres do pecado. Como eles tinham os olhos fixos em uma recompensa futura, preferiram ser “maltratados com o povo de Deus” a desfrutar do pecado por um pouco de tempo.

Na história do mundo, existem poucos personagens que tenham tido maior potencial para o poder, os privilégios e a posição, que Moisés. Era o segundo homem na corte de um farão sem herdeiros. Estava em linha direta para suceder o farão e converter-se em líder do Egito, a nação mais próspera do mundo naquele tempo. Como tinha os olhos postos em um prêmio eterno, deixou voluntariamente tudo aquilo para guiar um monte de escravos pelo deserto. Renunciou ao poder, a posição e aos privilégios; as mesmas coisas que nós passamos a vida tentando alcançar. Seus valores eram os corretos, porque assim era sua visão. Mantinha os olhos fixos na recompensa do futuro. Continua na última parte do estudo.

Deixe um comentário