Como Um Líder Motiva Outros – Parte 2

08
nov

3. Um líder avalia a situação real: … saí de noite com alguns dos meus amigos. Eu não havia contado a ninguém o que o meu Deus havia posto em meu coração que eu fizesse por Jerusalém. Não levava nenhum outro animal além daquele em que eu estava montado. De noite sai pela porta do Vale na direção da fonte do Dragão e da porta do Esterco, examinando o muro de Jerusalém que havia sido derrubado e suas portas, que haviam sido destruídas pelo fogo.

Esta e a cavalgada da meia-noite de Neemias, como a famosa cavalgada da meia-noite de Paul Revere. Em lugar de advertir as pessoas de que se aproximava uma invasão inimiga, que para Jerusalém não era um perigo iminente, Neemias percorre os muros da cidade e os inspeciona. No meio da noite, com a única ajuda de um pequeno grupo, sai para inspecionar pessoalmente os danos. Diferentemente de Paul Rever, Neemias não quer chamar a atenção.

Todo bom líder e capaz de compreender o que Neemias estava fazendo. Estava realizando sua inspeção previa. Estava comprovando o contexto da situação. Este é o aspecto da liderança do qual nunca ouvimos falar: e a parte solitária do trabalho. A preparação, a comprovação de dados e a investigação não tem nada de encantador nem de emocionante. Sem elas, porém, o plano está condenado ao fracasso.

É possível que, já a esta altura, Neemias estivesse se sentindo desanimado. Ao examinar o problema e ver como era grande, deve ter pensado: “Isto e muito pior do que eu imaginava! Que vou fazer? Nunca tive de enfrentar um problema assim era toda a minha vida”.

Os oficiais não sabiam aonde eu tinha ido ou o que eu estava fazendo, pois até então eu não tinha dito nada aos judeus, aos sacerdotes, aos nobres, aos oficiais e aos outros que iriam realizar a obra.

Por que Neemias manteve tanto segredo com respeito a essa inspeção? Não queria que detivessem os seus planos antes mesmo de começar. Sabia que, para que aceitassem seus planos, necessitava estar armado com dados preciosos. Você já notou alguma vez como é fácil matar uma boa ideia? As pessoas negativistas tendem muito mais a expressar suas idéias do que as pessoas otimistas. Como Neemias não contava ainda com todos os dados, começou a trabalhar em silêncio, reunindo informações antes de anunciar o que ia fazer.

Os grandes líderes protegem seus planos de uma morte prematura.

Compre a verdade e não abra mão dela, nem tampouco da sabedoria, da disciplina e do discernimento.

Quem responde antes de ouvir comete insensatez e passa vergonha.

O inexperiente acredita em qualquer coisa, mas o homem prudente vê bem onde pisa.

Os bons líderes fazem a própria investigação.

Neemias compreendeu que enfrentava oposição, criou curiosidade e reuniu todos os dados. Finalmente, estava pronto para tornar públicos os seus planos e começar a formar sua equipe de colaboradores. Seu próximo desafio era fazer com que os israelitas se sentissem entusiasmados com o que ele fora fazer ali.

4. Um líder se identifica com seu povo

Então eu lhes disse: Vejam a situação terrível em que estamos: Jerusalém está em ruínas, e suas portas foram destruídas pelo fogo. Venham, vamos reconstruir os muros de Jerusalém, para que não fiquemos mais nesta situação humilhante. também lhes contei como Deus tinha sido bondoso comigo e o que o rei me tinha dito. Eles responderam: “Sim, vamos começar a reconstrução”. E se encheram de coragem para a realização desse bom projeto.

Neemias não se apresentou como o estranho que havia aparecido no momento exato para resgatar Jerusalém de seus tristes fracassos do passado. Não apresentou uma mensagem negativa, nem culpou ninguém. Quando alguém lança a culpa sobre os outros, diminui a motivação deles. O que Neemias fez foi aceitar a culpa. Identificou-se com a frustração e animou-se a fazer uma avaliação sincera do problema. Disse: “Eu sou um de vocês, e este problema e nosso”.

Os bons líderes se identificam com seu povo. As pessoas se sentem motivadas a trabalhar para alguém que divide sua carga, e tem uma visão para alcançar sua meta. Todos os pais descobrem que os filhos respondem melhor quando sentem que são compreendidos e quando os pais se identificam com seus problemas. Os grandes líderes compreendem isto: As melhores idéias não são minhas, nem suas; mas nossas.

5. Um líder não esconde a seriedade do problema: Neemias foi sincero em sua mensagem. Ele disse: “Tenho umas idéias, mas primeiro vocês precisam saber realmente como a situação está ruim”. Não tratou de atenuar o problema. O que ele fez foi dramatizá-lo. Ao ressaltar o quanto a situação estava seria, apelou para suas emoções.

Por que ele usou essa tática? Ele sabia que eles viviam anos daquela forma, e, enquanto não lhes importasse o suficiente, não mudariam nada. Você já observou que, quando alguém vive durante muito tempo uma situação ruim, começa a ignorá-la? Quando alguém vive dentro de determinada situação por tempo suficiente, por pior que seja, pode tornar-se apático com respeito a ela. Neemias, ao voltar a centrar a atenção do povo no problema que estava vivendo por décadas, fê-los enfrentar a realidade.

Depois que o líder enfrenta a realidade, necessita que sua equipe a enfrente lambem. As mudanças não se produzirão enquanto não nos sentirmos descontentes com o status quo. Os líderes criam o descontentamento. Eles sabem que e a única forma de produzir a mudança, quer seja no lar, na escola, no negócio ou na sociedade. Quando as pessoas conformam com o que há, nada muda.

Quando você cria descontentamento, saiba que estará procurando críticas. Todos os que mexem com as coisas buscam problemas. Essa, porém, é a marca de um líder.

Neemias usou dois pontos de motivação. Em primeiro lugar, apelou para a autoestima. Ele disse: “Somos o povo de Deus. Não deveríamos estar vivendo no meio destruída. No entanto, olhem ao redor! A cidade está em ruínas. Os muros estão caídos. O lugar e um desastre e é só um monte de escombros. Isso e vergonhoso. Nós podemos fazer melhor que isso”.

Aquelas pessoas devem ter sentido Neemias como um sopro de ar fresco. Aquele líder era diferente dos outros. Não estava envolvido com a própria agenda, mas preocupava-se com eles. Compreendia o problema; sabia que estavam desmoralizados. Sabia o que precisava fazer para restaurar o nível de autoestima. E sabia a maneira de fazer com que eles o quisessem alcançar também.

Em um nível mais profundo apelou para a preocupação deles com a glória de Deus. Aquela situação também era vergonhosa para o Senhor. Os judeus eram o povo de Deus, e agora o mundo inteiro ria deles. “Dizem que adoram o Deus verdadeiro”, diziam outros zombando, “mas nem sequer podem reconstruir a própria cidade. Como é possível que esse Deus seja grande, quando eles estão vivendo entre escombros e nem sequer podem reconstruir os muros?”.

A situação existente em Jerusalém era vergonhosa para Deus. Para os judeus, que proclamavam crer em um Deus todo-poderoso, era um testemunho muito pobre. Talvez, pela primeira vez, Neemias sinalizou que o modo pelo qual eles estavam vivendo era uma infâmia para o nome de Deus. Ele disse o que os outros observavam a seu respeito. Como importaria para eles o Deus dos judeus, quando aos próprios judeus não lhes importava como representavam a seu Deus?

Ao dramatizar o problema, Neemias apelou para uns motivadores internos: a autoestima e a glória de Deus. Poderia ter utilizado prêmios e incentivos, mas era suficientemente apto para saber que os motivadores externos só funcionam com crianças. Poderia ter oferecido umas férias no Mar Morto com todas as despesas pagas, mas sabia como a maioria iria reagir. Ele sabia que precisava apelar para o senso judeu de orgulho e honra, a fim de realizar aquele formidável projeto que embelezaria a comunidade. Aqui está outro princípio que Neemias compreendia e que você também precisa compreender: A maior motivação da vida não é a externa nem a interna, mas a eterna. Neemias convocou as tropas com este grito de guerra: “Pela glória de Deus, reconstruamos os muros! Pelo reino de Deus e a glória de seu povo!”. Com aquelas palavras, inspirou sua equipe para que realizasse o que até então lhes era impossível. Tudo o que faltava era a motivação correta.

Continua…

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