Preservando os Sonhos – Parte 1

15
jul

Texto Chave: “Vinde, vendamo-lo a esses ismaelitas, e não seja nossa mão sobre ele; porque é nosso irmão, nossa carne. E escutaram-no seus irmãos. Ao passarem os negociantes midianitas, tiraram José, alçando-o da cova, e venderam-no por vinte sidos de prata aos ismaelitas, os quais o levaram para o Egito.” (Gênesis 37:27-28)

Sonhos são Instrumentos Para Vencer Dias Difíceis

Dias difíceis. Os dias eram difíceis para José, para seus irmãos, para Jacó. Havia dificuldade na casa, na afetividade, no campo de trabalho… Eram dias difíceis. Não existe na pauta de nenhum ser humano um histórico com apenas dias fáceis, nem com apenas momentos agradáveis. Todas as nossas fases precisam ser conquistadas, umas com mais velocidade e outras com menos; umas com mais dificuldades, outras com menos.

Porém, todas as fases precisam ser enfrentadas. Todos os habitantes do planeta já passaram por algum tipo de problema sério e certamente todos nós ainda passaremos por problemas. Todo ser humano constrói a história demolindo problemas. Neste mundo, teremos aflições, mas com o bom ânimo venceremos o mundo (João 16:33). Alegre-se, porque, em meio à dificuldade, existe o bom ânimo à sua disposição.

José faz parte de um contexto que anima a vida de muitas pessoas atualmente. José sofreu muito injustamente. Ele era um homem justo, integro, bom, santo, um sonhador. O sofrimento de José é decorrente de ter sonhos grandes em meio a pessoas que não tinham mais sonhos, pessoas que viviam com sintomas de medo, covardia, fuga, acomodação. Seus ir­ mãos e seus pais viviam sempre assim, fugindo de algo.

Jacó, pai de José, começou a vida disputando a bênção com Esaú e, consequentemente, fugindo dele. Jacó cresceu sabendo que seu pai amava mais Esaú que a ele. Certamente dificuldades de alma se instalaram na vida de Jacó, pois seu pai não conseguia destilar amor por ele como fazia com Esaú. Ele era considerado a espúria da casa.

No momento em que seu pai estava à beira da morte, Jacó sabia que ali não estava mais em jogo apenas a preferência de amor, mas de unção. Uma bênção seria liberada e os bens da casa seriam entregues para o filho mais distante, desinteressado.

A Bíblia diz que Esaú vivia no campo, flechando os animais e trazendo a caça para casa. Jacó ficava em casa, administrando tudo. Jacó administrava tudo e Esaú era homem de deserto. Tinha uma promessa para levantar uma nação, mas vivia distraído, vivia caçando e não velou pela promessa. Fez alianças com outros povos por causa do casamento e levantou um exército de flecheiros.

Um dia, após chegar com muita fome da sua caçada, Esaú negociou seu direito de primogenitura com Jacó. Ele entregou sua bênção para seu irmão. Então, no dia de receber a bênção do pai, Jacó deu um jeito de se passar por Esaú. Por causa dessa unção, Jacó teve que deixar a casa dos pais e viver fugindo até ter o basta de Deus.

Ele passou longo tempo no deserto até chegar à casa do seu tio Labão. Ali ele foi disputado pelas mulheres da casa. Ele amou Raquel e começou um relacionamento com ela, mas na noite de núpcias, o seu sogro lhe entregou outra noiva. Ele havia trabalhado sete anos por essa bênção. Jacó, então, por mais sete anos trabalhou para ter a mulher que amava.

Jacó era um homem que teve sua vida marcada por fugas e dívidas. É esse o pai que José conhece. Dentro de todo esse contexto, José se perguntava: ora, por que eu estou sendo tão perseguido?

José foi vendido pelos seus irmãos aos ismaelitas para uma caravana de midianitas que passava pelo local. Os ismaelitas e os midianitas eram duas raças inimigas de Jacó. José se tornou um trunfo na mão desses povos.

A Bíblia diz que José era muito formoso (Gênesis 39:6). Ele também era muito inteligente e sonhador. Esse aspecto na vida de José é intrigante: ele nasceu com inúmeras bênçãos, mas sofreu muito. Com todas essas características, era para José se regalar com tudo o que tinha e não ter tanta provação. Porém, o maior inimigo não é o que vemos por fora, mas o que vemos por dentro.

O maior problema de José não era enfrentar a casa do pai, o deserto ou o Egito, mas seus irmãos, o contexto em que ele estava vivendo. Ele poderia conquistar até o Egito, mas não teria conquistado o coração dos seus irmãos.

Não há dor maior para um líder do que conquistar várias nações, mas não conquistar sua própria nação, sua casa. É doloroso para um líder saber que ele é amado por todos, mas não o é pelos seus irmãos.

Crise x Sonhos

José vivia essa realidade: ele não era amado pelos seus irmãos. A maior crise de José a caminho do Egito não foi o fato de estar indo para o Egito, mas a pergunta: por que meus irmãos me venderam? Por que eles me tiraram do meu meio, do meu ambiente, da minha família? O que eu fiz de errado para que meus irmãos não me amem? Devemos lembrar que ele tinha apenas 17 anos, estava ainda na formação da personalidade juvenil.

Muitas pessoas iam ao Egito por diversos motivos: ou para negociar, ou para comprar comida na época de fome, ou para buscar novas oportunidades de vida. Porém, José não estava indo por nenhuma dessas razões. Ele estava indo como um escravo. Mas não era escravo! Na sua alma, ele era livre.

Ele tinha tudo o que uma pessoa tem para não ser escravo: beleza, formosura, inteligência e capacidade de sonhar, mas estava na rota do Egito como um escravo.

Você já parou para pensar no tamanho da crise psicológica desse jovem? Estudos revelam que José tinha mais ou menos 17 anos quando foi vendido.

A crise dele era: o que eu fiz para me tornar um escravo?! Às vezes, você não fez absolutamente nada, mas o Senhor o conduz pelo caminho do deserto. Neste momento, o inimigo se levanta para tentar fazer-lhe escravo, para prender as emoções, o psicológico, os relacionamentos. Os inimigos físicos e espirituais se levantam para tentarem amarrar a sua sorte e demolir a sua história.

José era segregado pelos seus irmãos. Havia uma escravidão apenas no mundo das idéias. Porém, aquela escravidão invisível se tornou uma escravidão real, verdadeira, palpável. Os inimigos que pareciam ser invisíveis tornaram-se visíveis. José estava naquele momento vivendo o resultado daquela escravidão invisível.

Quando nos levantamos para sonhar, inimigos se levantam para nos escravizar em todas as áreas. Devemos perceber: por onde estão vindo os assaltos à minha alma? Onde o inimigo quer prender-me, anular, roubar a minha promessa e anu­ lar o meu sonho?

José viveu uma crise intensa ao caminho do Egito. Às vezes, não teremos a resposta de porque nos fizeram escravos, mas teremos que lutar pela nossa liberdade. Chega o momento em que não cabe mais o questionamento “por que me fizeram escravo”. O mais importante é perguntar “como eu serei livre” e encontrar as respostas.

Não devemos ficar paralisados diante da escravidão. Se Deus permitiu essa situação até aqui, qual o Seu objetivo? A pergunta neste momento é: qual a rota que devemos fazer para alcançar a liberdade? Se Deus permitiu a escravidão até este limite, é porque Ele é estrategista. Nenhuma dificuldade surge na sua vida para destrui-lo, mas para transformá-lo e assim glorificar o nome do Senhor.

“E sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.”(Romanos 8:28). Se você ama Deus, as situações cooperarão a seu favor. Você está vivendo momentos de despedidas. Deus está tirando você de situações que o prendiam e você será verdadeiramente livre. O caminho do Egito, lugar de crises psicológicas, é marcado pela pergunta básica: por que me fizeram escravos? Mas saiba que no lugar da escravidão você conhecerá a liberdade. Deus quer que você conheça a sua liberdade no lugar onde todas as situações lutam contra a sua história. É Ele quem nos liberta e não nós mesmos. “Se o filho do homem vos libertou, verdadeiramente sereis livres.” (João 8:36). Não seremos livres de qualquer maneira, mas de forma verdadeira. Continua…

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